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Futuras

 

1) VOANDO ALTO

O início. Passaram alguns anos, esteve prevista em locais mais urbanos, mais centrais. Parou, não se sabe lá muito bem porquê. Talvez questões de prioridades que não têm a ver com a arquitectura.

Agora foi-lhe destinado um local mais periférico, junto a vias de comunicação fundamentais: a auto-estrada e o final da linha do Metro. Vizinha de uma primeira obra de Álvaro Siza, o Centro Paroquial de Matosinhos. O querer afirma-se agora mais consistentemente e as vontades, reunidas, suportam e fazem avançar a ideia.

A Casa da Arquitectura avança. Avança o estudo prévio, o estudo e a aproximação a um programa, também este prévio, mas voluntarioso. Há que ter algo onde se agarrar, pois como diria Fernando Távora, ‘nada pior que uma folha em branco’. Se ao menos houver um pontinho negro já é um começo, ainda que seja para o ignorar e procurar outras coisas.

O programa é ambicioso, ou talvez nem por isso. Nós, os portugueses, temos o hábito, mau, de nos considerarmos inferiores. Preferimos ser apenas razoáveis para não parecer mal. ‘Quem voa baixinho cai menos’, diz o povo, que é sábio, mas também português. Mas quem voa baixinho, não vê ao longe nem vê duma perspectiva elevada.

Como em outras casas do género, que visitámos, também aqui os espaços serão os necessários: recepção, áreas administrativas, áreas expositivas, áreas educativas e didácticas, auditório, biblioteca e seu arquivo, arquivos, muitos e ampliáveis, oficinas, manutenção. Áreas técnicas e sanitárias.

Uma cafetaria e uma livraria completam o programa. E haverá os espaços exteriores, verdes, ordenados.

As áreas expositivas, uma grande e duas de dimensões menores, permitirão a rotatividade de exposições: itinerantes ou permanentes do espólio próprio. Variadas, temáticas, abrangentes, polémicas, modernas, clássicas, experimentais e tudo o mais.

Pretende-se dar uma grande importância às exposições didácticas destinadas à formação e informação dos que não são arquitectos: dos jovens e dos muito jovens, as crianças. Mas também dos arquitectos, jovens e menos jovens. O que se pretende é levar a arquitectura ao povo e o povo à arquitectura. Mas já não será mau se, ao menos, levarmos o povo da arquitectura à arquitectura. Na Casa.

O auditório será um complemento das actividades mas também um equipamento para receber outras actividades ligadas, ou não, à Arquitectura ou à Casa.

A biblioteca receberá, esperamos, o espólio oferecido por amigos e doadores, bem assim como as edições próprias da Casa e as adquiridas. A biblioteca virtual estabelecerá uma ligação universal com todos os que se interessam pela arquitectura: arquitectos, investigadores, críticos.

Áreas administrativas, só as necessárias.

Arquivo, arquivos, armazém de qualidade onde, a logística (hoje os armazéns deixaram de o ser e são centro de logística) é prioridade principal: aí se guardará, de forma segura mas acessível, o que há e o que haverá. Aos produtores de arquitectura competirá produzir e, se assim o entenderem, confiar à Casa os materiais que possam ter utilidade documental. A Casa se encarregará de os ordenar, preservar e divulgar.

Espaços de consulta, estudo e pesquisa com ligação à biblioteca e aos arquivos.

Oficinas de tratamento e conservação, oficinas de montagem e de manutenção de artes várias.

Espaços públicos de acolhimento, generosos, como numa casa onde se quer receber bem e fazer festa, sempre em festa. Equipamentos de apoio que se pretendem internos mas também de abertura.

Áreas técnicas apenas as necessárias, pelo conforto, pela segurança, pelas pessoas.

O estudo prévio avança e apresenta-se.

Obra que se pretende maior, será, certamente, ampla e dinâmica. Obra contemporânea mas de agora e de sempre, como a boa arquitectura.

Proposta participada que se pretende participativa.

Provavelmente polémica, não fosse a Família vasta, diferente: porque há muitas vontades, muitos gostos, muitas tendências, muitas convicções.

Tanta diversidade, tanta criatividade, só pode gerar qualidade, muita.

Não se pretende tocar o Olimpo, mas há que voar bem alto.

 

 

2) COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO PROGRAMA DA CASA DA ARQUITECTURA

Nos dias 7 e 21 de Fevereiro de 2009 realizaram-se duas reuniões da Comissão de Acompanhamento do Programa da Casa da Arquitectura que, a partir do estudo prévio elaborado pelos Arquitectos Álvaro Siza e Carlos Castanheira, contribuiu para redefinir o programa do projecto e lançar a CASA DA ARQUITECTURA para uma escala nacional e pluri-institucional devido à proveniência e qualidade dos membros da referida Comissão:

Comissão de Acompanhamento do Programa da Casa da Arquitectura:

Dr.ª Raquel Henriques da Silva
Professora de História da Arte da FSCSH, Universidade Nova

Eng.º Vasco Martins Costa
Ex-director Director da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais

Arqt.º Luís Tavares Pereira
Representante da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte

Arqt.º Manuel Mendes
Representante da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto

Dr.ª Teresa Siza
Ex-Directora do Centro Português de Fotografia

Arqt.ª Paula Araújo Silva
Directora dos Serviços de Bens Culturais – Direcção Regional Cultura do Norte

Dr.ª Elisa Babo, Dr. José Portugal e Dr. Pedro Quintela
Quaternaire Portugal

Foi também convidado:

Dr. António Mega Ferreira
Presidente do Centro Cultural de Belém

A diversidade e riqueza dos diferentes pontos de vista expressos nas reuniões, de acordo com a experiência de cada interveniente, impulsionou o aprofundamento de questões como: Missão / Princípio Fundador / Objectivos / Colecções / Financiamento / Papel do Estado / Passagem a Fundação.